quarta-feira, 17 de julho de 2019

Matrícula Aeronaves - ativação do prefixo PS

Após 20 anos, ANAC comanda mudança na matrícula de aviões brasileiros

Agência possui reserva de matrícula para o prefixo PS que vai complementar a quase saturada série PR

O Brasil deverá ampliar suas marcas de nacionalidade de matrícula, adicionando ainda este ano o prefixo PS- em complemento a sequência PR, PP e PT, em uso atualmente. Adicionado no início dos anos 2000, a série PR dava continuidade aos registros brasileiros, que até então estavam restritas as combinações PP e PT, adotadas no começo do século 20.
A ampliação da frota era prevista, com a reserva do prefixo PS para aeronaves homologadas. Após quase duas décadas a primeira aeronave a receber a nova sequencia será um helicóptero AW139, que será identificado como PS-BFF.

REGULAMENTAÇÃO SURGIU NOS PRIMÓRDIOS DA AVIAÇÃO

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Os primeiros aviões da Varig ostentavam a sequência P-, como este Dornier Merkur, no inicio dos anos 1930

Por normas internacionais, cada aeronave civil deve ser registrada com marcas de nacionalidade e de matrícula, conforme uma sequência internacional aprovada pela Organização Internacional da Aviação Civil, uma agência especializada das Nações Unidas criada em 1947, tendo hoje 191 países-membros e dedicada a regulamentação internacional da aviação.
A primeira regulamentação internacional para registro de aeronaves ocorreu em 1919, durante o International Air Navigation Convention, que aconteceu em Paris. Na ocasião o Brasil adotou o prefixo P- seguido de quatro letras para registro de suas aeronaves, que deveria começar com a sequência P-AAA.
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Até o inicio dos anos 2000 a maior parte dos aviões comerciais ostentavam a marca PP, enquanto a aviação geral normalmente empregava a série PT.

Uma nova convenção internacional, ocorrida em Washington, em 1927 e realizada pela International Radiotelegraph Convention, revisou as marcas nacionais. O Brasil então adotou a sequência PT para aeronaves da aviação geral e PP para aviação regular. Os Estados Unidos passaram a utilizar a série N seguia de até cinco caracteres alfanuméricos, enquanto o Reino Unido optou pela série G (Great Britain) seguida de quatro letras, assim como a Alemanha escolheu a letra D (Deutschland), mais quatro letras, a França a letra F (France) também seguida de quatro letras, entre outros países. Curiosamente na ocasião a letra B estava disponível, mas o Brasil escolheu uma sequência não relacionada a primeira letra de seu nome, como fizeram outros países. A letra B foi adotada pela China.
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O prefixo PR passou a ser utilizado por toda aeronave civil e homologada, indepdente de sua aplicação, seja da aviação geral ou regular

Ainda que existam algumas restrições nos registros de aeronaves brasileiras, que excluí algumas séries de combinações SOS, VFR, IFR, IMC, entre outros, a mais recente combinação PR-  tinha disponível quase 999 possibilidades, que agora começam a esgotar. A adoção já prevista do prefixo PS deverá proporcionar mais uma ou duas décadas de registros ao país.
O prefixo PU, também detido pelo Brasil é restrito a aeronaves experimentais não homologadas.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Espaço Aéreo Classe C e Classe D


Qual a principal diferença dos espaços aéreos classe C para o D? 

Classe C - são permitidos voos IFR e VFR                                                                                           Classe D - são permitidos voos IFR e VFR
Classe C - É proporcionado a todos os voos o serviço de controle de tráfego aéreo                                Classe DÉ proporcionado a todos os voos o serviço de controle de tráfego aéreo
Classe C - Os voos IFR são separados de outros voos IFR e dos voos VFR                                     Classe DOs voos IFR são separados de outros voos IFR e recebem informação de tráfego em relação aos voos VFR
Classe C -  Os voos VFR são separados apenas dos voos IFR e recebem informação de tráfego em relação aos outros voos VFR e, ainda, aviso para evitar tráfego, quando solicitado pelo piloto.            Classe DOs voos VFR recebem apenas informação de tráfego em relação a todos os outros voos e aviso para evitar tráfego, quando solicitado pelo piloto;

E onde é prestado o serviço de radar de TMA são Classe C

Fonte: ICA 100-37

GROOMET - Leitura abaixo ou acima do groomet


Esta é uma dúvida que procuramos esclarecer de forma direta e rápida nesta publicação!


Vejamos:

Calcular PV/VS = 
1- DV no true index  
2-marque VV (ponto) ACIMA do GROMMET 
3-RV no true index 
4-VA no ponto marcado  
5 - Ler VS na curva que passa no groomet  
6 - Ler CD na linha do ponto marcado

(ESQ.=-CD,  DIR.+CD)  PV=RV +/- CD


Calcular RV/VS = 
1- DV no true index  
2-marque VV (ponto) ABAIXO do GROMMET 
3-PV no true index   
4-VA no groomet  
5 - Ler VS na curva que passa no ponto marcado  
6 - Ler DR na linha do ponto marcado

(ESQ.=-DR,  DIR.+DR)  RV=PV +/- DR


Calcular DV/VV = 
1-Calcular CD (CD = PV - RV)  
2-RV no true index  
3- VS no groomet  
4- Marque um ponto no cruzamento da curva VA com a linha CD  
5- Leve o ponto para cima até encontrar a linha central  
6-Ler DV no true index  
7- Ler VV no groomet ao ponto marcado.

VAMOS LEMBRAR:

PM=PV+/- DMG    PB=PM +/- DB      RV= PV+/-DR  RM=RV +/- DMG  DR=RV-PV   W+ / E-


terça-feira, 7 de maio de 2019

Buenas cmte!

Apresento esta boa nova do DECEA com a implementação das saídas omnidirecionais.

Saídas Omnidirecionais, designadas SID OMNI, são procedimentos de saída por instrumentos cujo trecho inicial é, na maioria dos casos, 
o rumo da pista de decolagem e que permitem a execução de curvas para qualquer direção desejada após a aeronave atingir uma determinada altitude. 
Neste aspecto, as SID OMNI diferem das saídas por instrumentos tradicionais por não possuírem trajetórias de voo pré-definidas e não precisarem de 
auxílios à navegação para provimento de guia de navegação.
Esse tipo de procedimento possibilita maior flexibilidade para o planejamento e execução do voo, permitindo ao piloto navegar livremente para o ponto onde 
o voo em rota será iniciado e é normalmente isento de restrições laterais e verticais.
Assim sendo, a publicação de SID OMNI proporciona uma alternativa à execução de decolagens obedecendo-se as trajetórias pré-determinadas das saídas por 
instrumentos tradicionais, mitiga problemas associados à inoperância de auxílios à navegação e permite a racionalização do número de cartas de procedimentos publicadas na AIP MAP.
As SID OMNI serão criadas, inicialmente, levando em consideração o tipo de Serviço ATS prestado, ao movimento aéreo IFR (12 mil/ano) e à racionalização do número de cartas publicadas na AIP-MAP.
Uma SID OMNI será publicada por meio de uma carta aeronáutica sempre que:
a) Houver restrições de espaço aéreo; ou
b) Sejam exigidos requisitos específicos, tais como GNSS, Vigilância ATC, VOR, DME, etc.
NOTA: Nos outros casos, será apenas publicada a descrição das manobras do procedimento, com os dados de ADEL, Altitude de Transição, serviços, descrição das manobras, close-in, MSA, VAR, VA/CHG, DER, conforme modelo do Anexo B.
Quando publicadas por meio de uma carta aeronáutica, as SID OMNI terão as seguintes características (ver exemplo no Anexo A):
a) Título da carta: “Saída Padrão por Instrumento (SID)”;
b) Identificação do procedimento: “OMNI”;
c) Poderão ser definidas restrições em termos de setores de operação ou de altitude mínima (ou FL mínimo).
NOTA: Setores de restrição serão descritos em termos de rumos magnéticos, a partir do ARP, e serão hachurados, indicando a proibição do voo naquele setor;
d) O campo de observações (RMK) deverá apresentar requisitos importantes à execução do procedimento. Exemplo: Curva antes da DER proibida devido a obstáculos na lateral da pista.

RESPONSABILIDADE DOS PILOTOS EM COMANDO DAS AERONAVES
Observar as áreas a serem evitadas, caso existam.
Manter o gradiente mínimo de 3,3% (caso não haja outro publicado) até a altitude mínima da próxima fase do voo. Restrições de altitudes poderão ser adotadas, 
observando-se as altitudes mínimas de setor (MSA), a altitude mínima da ATCSMAC, ou outra conforme publicada, desde que seja garantido que nível mínimo da próxima 
fase do voo seja alcançado até o ponto de rota designado.
Informar a trajetória de voo proposta (até o ponto no qual o voo em rota será iniciado) ao órgão ATS, antes do acionamento dos motores.
Caso não seja possível executar algum procedimento descrito em carta ou indicado pelo órgão ATS, informar a este antecipadamente.



quarta-feira, 13 de março de 2019

REGRA DE VOO POR INSTRUMENTOS



COLCHÃO DE NUVENS!!


INSTRUMENTOS X CONTATO!!


...ELAS PODEM TER CAROÇO!!


AS NUVENS PODEM SER TRAIÇOEIRAS!!!


VOO POR CONTATO OU POR INSTRUMENTOS


VOO POR CONTATO


ISTO NÃO É VOO POR CONTATO!!


VOO VISUAL


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

MAYDAY e SOS - Origem da palavra


O sinal radiotelefônico de mayday foi criada em 1923 por Frederick Stanley Mockford (1897-1962). Mockford, um oficial de rádio do aeroporto de Croydon em Londres, recebeu a missão de encontrar uma palavra que indicasse um sinal de socorro e que pudesse ser entendida facilmente por todos os pilotos e pessoal de terra em uma situação de emergência. 
Devido a que grande parte do tráfego estava era, à época, entre Croydon e o aeroporto de Lhe Bourget em Paris, Mockford propôs a palavra «mayday», proveniente do m'aidez francês.


SOS é o sinal de socorro mais utilizada internacionalmente. Começou a ser utilizado no princípio do século XX. Foi aprovada durante uma conferência internacional em Berlim em 1906 para substituir a até então “CQD” nas transmissões telegráficas em Código Morse.

Esta abreviação foi escolhida porque ela poderia ser facilmente transmitida pelos sinais de Código Morse, com uma sucessão de três pulsos curtos, três longos e outros três curtos também devido à simplicidade da palavra e a impossibilidade de ser mal interpretada. Em realidade, nem sequer trata-se de três letras separadas (que se devem transmitir como três pulsos curtos - pausa - três longos - pausa - três curtos) senão de um único código contínuo.

Posteriormente associaram-se-lhe significados para facilitar sua memorização, por exemplo Save Our Souls (salvem nossas almas), Save Our Ship (salvem nosso barco), Se Opus Sit (se fosse necessário) ou Save or Socom (salvem-nos ou morremos) em inglês. Outras alternativas em espanhol são Socorro Oh Socorro, Socorro ou Sucumbo, Salve-nos ou Sepulte-nos e Salve-nos ou Sofreremos e "Sobreviver ou Subsistir".

Costuma-se pensar, equivocadamente, que se fez uso dela pela primeira quando do naufrágio  do navio RMS Titanic, o 14 de abril de 1912, mas alguns navios europeus já tinham feito uso deste sinal anteriormente. O que sim é verdadeiro é que o acidente do Titanic contribuiu enormemente para sua popularização e fez que se passasse a substituir quase por completo ao anterior código de socorro, o CQD igualmente associado a um significado para sua memorização: "Come Quickly, Danger" (venham rápido, perigo), ainda que o significado real seja CQ (Copy Quality) de Telefonema Geral e D de Distress (Problema).

domingo, 22 de julho de 2018

ANEXOS DA ICAO E DETALHAMENTO DO ANEXO 19


LEGISLAÇÃO INTERNACIONAL

 Hoje as normas e métodos recomendados são os ANEXOS à Convenção que tem por objetivo conseguir a segurança e regularidade na navegação aérea internacional.
                Os Estados contratantes devem aplicar uniformemente as especificações das Normas Internacionais, bem como, se torna conveniente que se ajustem aos métodos recomendados. Caso contrário, devem publicar as partes adotadas que difiram do previsto nos Anexos em forma de DIFERENÇAS.

ANEXOS DA ICAO
Atualmente existem 19 anexos que tratam dos mais variados assuntos ligados à aviação, os quais poderão ver de uma maneira geral na relação seguir.

Anexo 01
Licença de Pessoal
Anexo 02
Regras do Ar
Anexo 03
Meteorologia
Anexo 04
Cartas Aeronáuticas
Anexo 05
Unidades de Medidas para Operações Aéreas e de Solo
Anexo 06
Operação de Aeronaves
Anexo 07
Marcas de Nacionalidade e Registros
Anexo 08
Aeronavegabilidade
Anexo 09
Facilitação
Anexo 10
Telecomunicações
Anexo 11
Serviços de Tráfego Aéreo
Anexo 12
Busca e Salvamento
Anexo 13
Investigação de Acidentes Aeronáuticos
Anexo 14
Aeródromos
Anexo 15
Serviço de Informações Aeronáuticas
Anexo 16
Proteção ao Meio-Ambiente
Anexo 17
Segurança da Aviação Civil Internacional Contra Atos de Interferência Ilícita
Anexo 18
Transporte seguro de materiais perigosos pelo ar
Anexo 19
Gerenciamento de Segurança Operacional

Os Estados que, por qualquer razão, não aceitarem à adoção dos padrões e práticas recomendados, são obrigados, pelos termos da convenção, a apresentarem as suas razões e publicarem, na AIP Nacional, os que são por eles adotados em forma de DIFERENÇAS.

NORMA é toda especificação de características físicas, configuração, material, performance, pessoal ou procedimentos cuja aplicação uniforme se torna NECESSÁRIA à segurança e regularidade da navegação aérea internacional. Em caso de ser impossível o seu cumprimento, é obrigatória a apresentação da correspondente notificação de DIFERENÇA à OACI.

RECOMENDAÇÃO é toda especificação de características físicas, configuração, material, performance, pessoal ou procedimentos cuja aplicação uniforme se considera CONVENIENTE por razões de segurança e regularidade da navegação aérea internacional. Em caso de ser impossível a sua adoção, deve-se apresentar uma notificação de DIFERENÇA à OACI.

ICAO – LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR

A OACI também produz outras publicações, que não são os Anexos, que tratam de assuntos de importância destacada para a navegação aérea internacional. São os chamados “Procedimentos para o Serviço de Navegação Aérea (PANS)” e “Procedimentos Suplementares Regionais (SUPPS)”. Os PANS não possuem a mesma rigidez de adoção dos Anexos, pois são considerados como Recomendações para os Estados signatários. Os SUPPS são publicações preparadas com base nas conferências regionais de navegação aérea para atendimento das necessidades de determinadas Regiões.

Os PANS e SUPPS, listados a seguir, tratam de assuntos de grande interesse para aqueles que estão envolvidos com o tráfego aéreo:

Doc. 4444: Gerenciamento de tráfego aéreo.
Doc. 7030: Procedimentos suplementares regionais.
Doc. 6920: Manual de investigação de acidente aeronáutico.
Doc. 9426: Manual de planejamento dos serviços de tráfego aéreo.
Doc. 8168: Operação de aeronaves.

            O Brasil, através do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), do Comando da Aeronáutica, adota para fins de tráfego aéreo as normas e métodos recomendados pela ICAO/OACI.


Vamos então a algumas especificações dos ANEXOS:




































ANEXO 19
FINALIDADE:

- A finalidade das normas e métodos recomendados (SARP) do Anexo 19 é ajudar os Estados a gerir os riscos de segurança operacional da aviação, concentrando em um só documento os SARP sobre o assunto.

- O Anexo propicia suporte para a evolução contínua de uma estratégia preventiva para melhorar o desempenho da segurança operacional, em decorrência da crescente complexidade do transporte aéreo e a inter-relação das atividades necessárias para garantir a operação segura das aeronaves.

- O Anexo especifica o marco para a implementação e manutenção do Programa de Segurança Operacional do Estado (SSP) e dos provedores de serviços (SGSO - SMS).

- O marco é composto por quatro componentes

1. Política e objetivos de segurança operacional.
2. Gestão de riscos de segurança operacional.
3. Garantia da segurança operacional.
4. Promoção da segurança operacional.


Programa da Segurança Operacional do Estado – SSP

–É um conjunto de regulamentações e atividades integradas que visa aprimorar a segurança operacional.



















terça-feira, 26 de junho de 2018

Evolução da Navegação Aérea

Por Cmte Igor Senez (Maio de 2018)

Antes da introdução da tecnologia do Flight Management Computer System (FMCS), as aeronaves possuíam um sistema de navegação convencional. Nesse sistema, a posição da aeronave era determinada por marcações magnéticas em referência a emissões enviadas de terra por um sistema de Non-Directional Beacon (NDB), que eram captadas por um sintonizar Automatic Directional Finder (ADF) que, por sua vez indicavam, sobre o cartão de uma bússola, a posição da estação e tinham um alcance confiável de 400 Km. As estações NDB estão em uso desde os anos 40, mas estão tornando-se obsoletas. Aviões modernos já não contam com este equipamento. Hoje, o sistema de balizamento ainda é feito, basicamente, por estações Very High Frequency Omnidirectional Range (VOR), equipados com o medidor de distância conhecido como Distance Measuring Equipment (DME). Atualmente, o DME é ainda muito usado pelos FMCS para a verificação do Area Data Navigation e definição do FMC Position (conjunto de posições computadas para a determinação da posição de referência). Para a navegação convencional, era necessário que o sistema de navegação aérea contasse com aerovias largas e com separações verticais excessivas. Note-se que as Aerovias Superiores convencionais têm até 43nm de largura.
Aos voos transoceânicos era exigido um dos membros das tripulações, o Navegador, com plenos conhecimentos em navegação astronômica, onde as aeronaves eram equipadas com sextantes de navegação pelas estrelas, nos moldes das embarcações marítimas, apesar de utilizarem, também, com a navegação inercial.

Indicador de Atitude convencional com emprego de giroscópio eletromecânico.


Já o Doppler, que podia substituir o INS, era um equipamento que se orientava, basicamente, pelo seu ponto de partida e computava o desenvolvimento do voo. O sistema da aeronave emitia feixes concentrados de energia eletromagnética numa determinada frequência que, ao atingir a superfície da terra ondas eram refletidas e comparadas ao sinal emitido. Dessa forma, devido ao efeito doppler, a diferença entre eles era computada para fornecer as informações de velocidade e deriva. Mesmo assim, necessitava das informações convencionais de navegação para confirmação de posição da aeronave.
Por sua vez, o OMEGA foi um sistema de radionavegação por baixa frequência (10 a 14 kHz) utilizado para obter a posição de aviões e navios e ajudar a determinar as suas rotas. Operado pelos Estados Unidos da América e por seis outros Estados parceiros, o sistema OMEGA foi o primeiro sistema de radionavegação de âmbito global, isto é, utilizável em praticamente toda a superfície da Terra.
O sistema Omega, operou entre 1971 e 30 de setembro de 1997, data em que foi desligado por ter-se tornado obsoleto devido à disponibilidade do Sistema de Posicionamento Global (GNSS ).
Em aeronaves de geração passada, antes do B767 e do B737-300, a navegação era totalmente convencional. Uma aeronave em voo de médio alcance decolava de uma determinada localidade para a outra e chegava ao seu destino sem muita precisão, dependendo das correções efetuadas durante o percurso, realinhava ao eixo da aerovia quando, abaixo de 200nm, passava a receber uma estação VOR com mais precisão. Os sistemas de aproximação e pouso eram, na maioria das vezes, procedimentos baseados por NDB. Em localidades com maior movimento de tráfego aéreo o VOR era o sistema básico e em poucos aeródromos tínhamos o ILS para aproximação e pouso. Hoje, 2018, o Brasil conta com apenas 32 aeroportos dotados com ILS CAT I e uma quantidade muito inferior de localidades com aeródromos com operação de aproximação de CAT II, menos de dez aeródromos.

Com a introdução de aeronaves modernas, as informações de terra começaram a deixar de ser o principal elemento de orientação para a navegação aérea. O primeiro sistema embarcado de navegação e altamente confiável foi o Inertial Navigation System (INS), que era uma plataforma autônoma e não dependia de nenhuma informação externa. A plataforma INS foi desenvolvida pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) nos anos 50’s, que consistia em um equipamento giroscópio eletromecânico e acelerômetros que determinavam a posição quando alinhava com a velocidade de rotação da terra. Para que esse sistema funcione é necessário o uso de dois acelerômetros: um orientado para o Norte e o outro para leste.
Uma nova tecnologia nos trouxe, a partir dos anos 1970s, o “giro-laser” chegou para substituir os antigos equipamentos eletromecânicos. Esses equipamentos eram de alto custo de manutenção, pois seus giros tinham um grande desgaste por rotação que alcançavam até 33.000 rpm. Por outro lado, o giro-laser é um conjunto de “três giros”, um para cada eixo, em que canhões de raio laser de baixa frequência se replicam em prismas e espelhos, infinitamente. A variação desse feixe é medida como frequência ao percorrer um caminho em sentidos opostos, dando orientação tridimensional à aeronave, sempre auxiliado por acelerômetros.


Giro-laser:
Georges Sagnac (14 de outubro de 1869 - 26 de fevereiro de 1928) foi um físico francês que emprestou seu nome ao chamado efeito Sagnac, um fenômeno que está empregado na base de giroscópios de anel laser desenvolvidos desde a década de 1970.
Em 1913, Georges Sagnac mostrou que, se um feixe de luz que é dividido e enviado em duas direções opostas ao redor de um caminho fechado em uma plataforma giratória com espelhos em seu perímetro são recombinados, eles exibirão efeitos de interferência ao se girar a plataforma em sentido positivo ou negativo.

Em uma plataforma estável, ambos os feixes alcançam o detector ao mesmo momento. (Acima)


Em uma plataforma em giro, os feixes gerados irão alcançar o detector em tempos diferentes. (Acima)
Em uma plataforma que apresente um giro à esquerda, o feixe counter-clockwise (em vermelho) irá percorrer um caminho maior até o detector, diferente do feixe clockwise (em azul) que alcançará o detector em menor espaço e tempo. O registro desta leitura é traduzido em frequência registrará a modificação de atitude em cada um dos três eixos.
Efeito muito bem demonstrado no vídeo do endereço a seguir:       https://www.youtube.com/watch?v=Fk0RvzaHq_Q

A plataforma passou então, a ser identificado como Inertial Referece System (INS), pois este inercial passou a fazer parte do Air Data Inertial Reference Unit (ADIRU) e gerenciado pelo Flight Management Computer System (FMCS), em aviões Boeing 767 e Boeing 737 desde os anos 80s.



No passado, quando as aeronaves ainda não eram equipadas com GPS, a navegação era basicamente o que se chamava de Área Data Navigation, onde a Radio Position era determinante para a criação da FMC Position com precisão, normalmente operava com a medição, em voo, da distância de dois DMEs, em comparação com as posições dos IRS. Na América do Norte, onde há uma infinidade de estações DME, o Área Data era constante e muito preciso, diferente da realidade em áreas da América do Sul, onde as estações DMEs são escassas e, quando com doze minutos sem recepção de informações de dois DMEs o sistema revertia para IRS NAV ONLY e a FMC Position passava a ser a média das posições IRS desconsiderando o erro de saída do aeródromo onde foi alinhado. No início desta tecnologia, os IRSs eram alinhados pela posição das coordenadas do aeródromo e, com isso, já carregavam um erro de distância entre a posição genérica do aeródromo e a posição da aeronave na FMC position. Para corrigir este erro, foi adicionado ao FMC Data Base a Runway Position Update ou Takeoff Shift (TO SHIFT), que era a possibilidade ao piloto de atualizar a FMC Position na cabeceira de decolagem. Depois de atualizações do FMC, o próprio To/Ga Switch executava esta tarefa automaticamente na hora da decolagem. O alinhamento do IRS pelas coordenadas do Gate Position minimizou este erro, quando incluídas no Data Base do FMC das aeronaves. Quando a aeronave decolava e já encontrava recepção de dois DMEs, a FMC
Position já adquiria um Actual Navigation Performance (ANP) muito confiável. Quando em áreas navegadas carentes de estações DME a navegação revertia sempre para IRS NAV Only, consequentemente, com menor precisão de navegação.
Na virada do século, o receptor GPS passou a ser equipamento básico de navegação aérea, marítima ou terrestre. O avanço foi extraordinário quando gerenciado e executado pelo FMCS que, basicamente, é o mesmo, mas que recebeu muitos updates de atualizações, deste então.
Um sistema FMCS com GPS integrado produz um PBN de até 0,02 de ANP na maioria das áreas de boa cobertura da constelação de satélites GPS.
Atualmente o Brasil já conta uma infinidade de Rotas RNAV com navegação PBN, encurtando caminhos com grande precisão. Aquelas aerovias convencionais, balizadas por estações de rádio frequência, tendem a desaparecer em futuro breve, mesmo em áreas remotas e também em travessias oceânicas.
Os passos para aproximações mais precisas já foram dados. Procedimentos RNAV GNSS com RNP 0.3 tornou-se normal, sem depender de nenhum auxílio de terra, onde um procedimento GNSS com RNP 0.3 (raio de segurança de 555 metros) é obtido mesmo sem GPS, apenas com Área Data Navigation.
O Brasil parte agora para o RNP-AR APCH (Required Navigation Performance – Authorzation Required – Approach) onde as operações no Aeroporto Santos Dumont já são realizadas até um Decision Altitude (DA) de 305 pés em procedimento de precisão RNP-AR 0.1 (raio de segurança protegido de 185 metros) com perfeita segurança. Na certificação e implantação desta modernidade a GOL Linhas Áreas é pioneira.
A implantação de rotas RNAV trouxeram muitos benefícios à navegação aérea brasileira, mas sem dúvida, a entrada em operação do o RNP-AR APCH em muitas outras localidades é o próximo grande passo para, não só a economia de combustível, mas também, para e aumento de índice de pousos em condições de baixa visibilidade em determinadas localidades com altos índices de inoperância por baixo teto operacional. Além de SBRJ, já temos aproximações RNP-AR-APCH 0.3 homologadas para Navegantes, Joinville, Londrina, Maringá, Campinas Congonhas, Guarulhos e Galeão.
Para tanto, a IS - Instrução Suplementar 91-001 REV.E, de 24 de maio de 2017, da Anac, regula a operação e estabelece seus critérios.

OPERAÇÕES PBN-RNAV
Designação da Operação / Precisão Lateral (RNP) / Área de Aplicação
RNP 10 (RNAV 10) / 10 / Em rota - Oceânica/Remota
RNAV 5 / 5 / Em rota – Continental
RNAV 1 e 2 / 1 e 2 / Em rota - Continental/Terminal
RNP 4 / 4 / Em rota - Oceânica/Remota
RNP 2 / 2 / Em rota - Oceânica/Remota/Continental
RNP 1 / 1 / Área Terminal
RNP APCH / 0.3 / Aproximação
RNP AR APCH / 0.5 - 0.1 / Aproximação
APV/BARO-VNAV / - /Aproximação

Instrução Suplementar da Anac.
RNP-AR APCH (IS nº 91-001E Apêndice K)
Manual on Required Navigation Performance (PBN), estabelece dois tipos de especificações de navegação para procedimentos de aproximação RNP: RNP APCH e RNP APCH com autorização requerida (RNP AR APCH). Tais operações podem oferecer vantagens significativas do ponto de vista operacional e de segurança, uma vez que introduzem capacidades de navegação adicionais em termos de precisão, integridade e funções que permitem operações com separação de obstáculos reduzida.
Um procedimento RNP AR APCH é publicado quando uma aproximação direta não é operacionalmente viável.
Existem três características que justificam o desenvolvimento de um procedimento RNP AR APCH:
a) capacidade de voar um arco publicado, Radius to Fix Leg (RF leg);
b) segmento de aproximação perdida com separação de obstáculos reduzida, RNP inferior a 1.0; ou
c) qualquer parte do segmento de aproximação com emprego de RNP inferior a 0.3.
Nota: Todo procedimento que constar em seu corpo a nota Special Aircraft and Aircrew Authorization Required obedecem esta Instrução Suplementar, sempre que enquadrados em um dos três critérios acima.
Características que determinam um procedimento RNP-AR-APCH
Operacionalmente, para qualquer valor de RNP-AR, pelo FCTM da Boeing, a preparação é feita da seguinte forma, em seus pontos principais:
Nota: Operação no aeródromo de SDU tem condições específicas regida pela Anac.
• Selecione o procedimento na Arrival Page do FMC.
• Se IAF for “at or above”, poderá ser modificado para “at” usando altitude igual. No IAF a velocidade pode ser modificada, normalmente F1 speed, desde que a velocidade máxima não seja excedida.
• Para aeronaves sem Navigation Perfomance Scale (NPS), um dos pilotos deverá ter o “map display range” em 10NM ou menor, para monitorar o “path tracking” durante o seguimento final de aproximação.
• Para aeronaves com NPS, o “map range” poderá ser a critério do piloto.
• TERR deverá ser selecionado em um dos lados.
• Inibição do “updating” de navegação. VOR/DME “updating” deve estar desligado. DME-DME deve estar inibido.
• Para aeronaves com Navigation Performance Scale (NPS ) a tripulação deverá inserir 125 pés para RNP vertical. Embora não haja valores de RNP verticais publicados na carta de aproximação, o uso de 125 pés fara com que o alerta de excedência de desvio âmbar do NPS ocorra a 75 pés requeridos. Valor válido desde o FAP (FAF) até o “missed approach point”, se não houver indicação contrária na carta de aproximação.
• Verificação do RAIM – Receiver Autonomous Integrity Monitoring, está indicado apenas para RNP 0.15 ou menor.
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Sobre o autor:
Igor Soledade Senez, nascido em 13 de abril de 1947 no Rio de Janeiro, iniciou seu curso de piloto no Aeroclube de Nova Iguaçu-RJ em 1967. Entrou na aviação comercial em 1969 nos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul. Voou por três décadas na Transbrasil Linhas Aéreas, onde exerceu diversos cargos administrativos. Dedicou-se sempre ao ensino e treinamento de pilotos. Desde 2004 exerce a profissão de instrutor de simulador de voo na GOL Linhas Aéreas inteligentes. Em meados de 2019 completa 50 anos de atividades em empresas de linha aérea.
link original da matéria: https://www.linkedin.com/pulse/evolu%C3%A7%C3%A3o-da-navega%C3%A7%C3%A3o-a%C3%A9rea-igor-soledade-senez
Bibliografia:
AC – Advisory Circular FAA Nº: 90-101A de 9 de fevereiro de 2016.
IS – Instrução Suplementar 91-001 REV.E, da Anac, de 24 de maio de 2017.
FCTM – Boeing Flight Crew Training Manual
Wikipedia










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